Expedição Belém-Bahia – por Pilão.

pilão maranhão

Durante tantos anos “entre duas rodas”, sempre acreditei que o melhor da viagem de moto é o “durante”.  Aprendi que qualquer viagem deve ser sempre “de ida”, evitando assim o tédio de voltar pelo mesmo caminho que se foi, fazendo sempre rotas circulares. Isso sempre fez com que as rotas fossem feitas “pelo caminho mais longo”, pois assim o “durante” demoraria mais para acabar.

Amante do mar, um dos meus sonhos mais antigos sempre foi  contornar o mapa do Brasil pelo litoral, para apreciar literalmente de perto suas belezas naturais. Minha Shadow 600, que já me levou ao Atacama e outros países do Mercosul não era a mais indicada para este sonho, então a  aquisição da Cavalona, minha XT 660R foi o começo da realização deste sonho.

Uma semana de férias na Bahia estava programada há vários meses. Por que então não ir de moto ? A lembrança do  hábito das rotas circulares vem imediatamente,  e uma brincadeira entre amigos sobre “o caminho mais longo”  fez surgir uma idéia de uma rota “alternativa” de São Paulo a Salvador: Via Belém. Nasceu assim a idéia da Expedição Belém-Bahia. Uma oportunidade solitária de contornar todo o litoral, desde a primeira praia de água doce do Pará até minha casa, em Bertioga/SP.

O caminho até Belém chega a ser tedioso, pelas infinitas retas e paisagens repetitivas. Raras exceções do norte do Tocantins e Sul do Maranhão contrapõem esta afirmativa. Mas quatro dias e 3082 km depois da partida, uma foto  do sol se pondo atrás da Ilha de Marajó marcou o início da viagem. Agora era só contornar o mapa, onde possível pela praia, até Salvador.

Colares, Bragança, Viseu, Odivelas, Alcântara e outras tantas cidades coloniais, homônimas ás originais portuguesas, deram uma idéia excelente do nosso tempo de colônia, e da pobreza atual que não é muito diferente do que era naquele tempo.  Ajuruteua e Salinópolis, no Pará, deram uma idéia diferente  sobre cidades litorâneas.

Os Lençóis Maranhenses e a trilha de 95 km de areia até Tutóia/MA, quase dispararam saudades do asfalto e da velha Shadow 600, que ficou em repouso na garagem. Mas as belezas naturais, a sensação do novo, e o privilégio de poder formar uma imagem tão real da grandiosidade do Brasil,  compensavam cada músculo dolorido no final de cada um dos mais de 40 dias, aos quais o corpo deste “trilheiro de primeira viagem” foi submetido.

O encontro de motociclistas em Parnaíba, no Piauí trouxe muitos novos amigos. O trajeto de Camocim até Jericoacoara, no Ceará revelou belezas que só quem vai de moto consegue ver.

Noites passadas em campings no Ceará e no Rio Grande do Norte fizeram lembrar que a felicidade realmente não tem relação com luxo e conforto.

A solidão e o isolamento levaram a lugares maravilhosos e pouco conhecidos, como a Praia da Baleia, no Ceará, e São Miguel do Gostoso, no Rio Grande do Norte. Homéricas “encalhadas” na areia fofa de praias desertas, e a única opção, que era a de sair, e pneus furados no meio do nada trouxeram grandes exercícios de superação de limites.

Visitas como ao Farol do Calcanhar, no Rio Grande do Norte, a “esquina” do mapa do Brasil, alimentaram o “ego demarcatório” do velho motociclista.

Lindas praias ainda desertas de Pernambuco, Bahia, Espírito Santo e  Ceará fazem um grande contraponto com a urbanização selvagem a que foram submetidas belezas como Porto de Galinhas, Natal e João Pessoa, onde os melhores lugares passaram a ser exclusividades de endinheirados moradores de condomínios de luxo ou de hóspedes de resorts. Belezas naturais são agora praias privativas.

O mais importante de tudo isso é que, com mais  12 mil quilômetros de Brasil somados ao currículo, é a certeza de que, por mais que se conheça esse país, a única sensação que se tem é que há sempre muito mais a conhecer.

Que venha a próxima expedição !

Pilão

Mais informações fotos curiosidades acesse o facebook do Pilão www.facebook.com/ebeba2013

2 responses to “Expedição Belém-Bahia – por Pilão.”

  1. Piréx says :

    Show, Pilão. Baita abraço.

  2. Urik B. da Silva says :

    Grande Pìlao. Tive o prazer de conversar um pouco contigo sobre essa grande viagem, e o relato contribuiu ainda mais com o entedimento da grande expedição. Parabéns velho motorocker! Abração!

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