30.000km de Harley, Softail Standart (FXST) – por Ravanello

30.000 km de Harley.

niversombreros

Não sou lá um grande andador de moto. Adquiri a minha em agosto de 2007, e, agora em dezembro de 2008, atingi a marca de 30000km. A moto no caso, é uma Softail Standart (FXST)

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http://www.bikez.com/motorcycles/harley-davidson_fxst_softail_standard_2007.php

O modelo dela é uma história à parte. Nem todo mundo pode se dar ao luxo de escrever sobre um modelo que já saiu de linha, ainda mais um modelo que já saiu de linha nos US. A FxSt só veio para o Brasilzão em algumas poucas vezes, e a última leva acabou em outubro de 2007.

A família Softail, nos USA é bem populada pela NightTrain, Custom, Fatboy, Deluxe, Heritage, Rocker e Crossbones. Todas elas compartilham o mesmo trem de força, injeção eletrônica e a mesma suspensão, que é o principal diferencial – tecnológico e monetário – entre uma FXS e uma FXD – como, por exemplo, a Dyna.  

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Todas as Softails foram criadas com um foco claro de maciez para a garupa. O nome Rabo-Mole não é a toa. Se você já sentou em uma outra harley, e sentou em uma FXS, você percebe claramente que tem diferença sim. Suspensão macia e motor sem chacoalhar já fizeram alguns puristas determinarem que as Softail são menos harley do que as hard tail. Vai
saber, tem gente que gosta até de Kaiser.

O meu uso da moto é claro: eu só tenho ela. Minha cidade tem 2,5 milhões de habitantes e um índice de motorização maior do que a cidade de São Paulo. E chove; chove muito.

A garupa, não tem muita opção – ou acompanha o Zé Mane, ou deixa de viajar e conhecer lugares. Em agosto do ano de 2007 tínhamos trocado uma Vulcan 750 que nos levara até Valparaíso / Vina Del Mar, e precisávamos que “alguém” que agüentasse o tranco – tanto em cilindradas quanto em confiabilidade mecânica. Entre as sportsters disponíveis na época, e as softails, minha Senhora foi categórica: Para andar, melhor andar com mais conforto.

De saída, o modelo é meio pesado, como dito pelo Mazzorana em sua primeira impressão da Ana Fátima. Porém, a FXST tem um pneu de raio maior, bitola menor e menos borracha, deixando a Júlia, a minha FXST, com a cara do Avesso do Carangos e Motocas.

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Este pneu mais fino e alto contribui com a manobrabilidade e agilidade da moto, porém foi uma fonte de problemas durante alguns meses: Encarar as estradas do Brasil com 7,5cm de borracha na frente da moto custou-me 2 rodas até eu trocá-lo por um pneu com 9cm – que fez muita diferença. A roda, as viagens e o bolso agradecem.

Sair de uma moto de 750cc para uma moto de 1600cc também tem impacto no paciente. Na minha primeira decida da serra da graciosa, um susto, uma derrapada e um chão. Joelho ralado, cotovelo luxado e tanque amassado.  As partes de ferro (pedaleiras, manoplas, espelhos) que são alardeadas pelos RAAAARLEIROS como sendo mais resistentes, realmente
são mais resistentes. All in all, a moto saiu melhor do tombo do que eu.

As manutenções já não são feitas na Loja da Harley (IMOX Curitiba – pronuncia-se ÁIMOQUES DE MERDA) já faz bastante tempo, para ser mais exato, desde a revisão de 1k milhas. Curitiba é um centro de customizadores, mechânicos e outros estragadores profissionais de moto, então opto por levar na Brazil Custom Cycles – Que fica na Felipe Camarão, perto do Peninha. Nestes 30000, tudo o que fiz foi trocar óleo, filtro e as velas conforme o manual. Em geral, mão de obra a preço honesto, aquela aumentada clássica no preço do óleo e o
filtro a preço normal na loja.

Dizem que o grande sonho de todo o RAAAAAARLEIRO é customizar (ou bastardizar) a moto. Faróis, Buzinas, Sirenes, Badulaques, Penduricalhos e até Bolhas e Gps’s. Como eu faço parte desta classe de “gente”, resolvi fazer a minha bostomização, em 3 partes. Primeiro, um encosto para a Dona da Pensão. Depois, uma “grelha” acompanhando o desenho da rabeta da moto, para colocar a bagagem. E por último um mini seca-suvaco, de 8 polegadas, usando os mesmos cabos e suporte (RISER) original. O sissy bar e a grelha foram adquiridos direto do Fatbook, e enviados por FEDEEx – www.dragspecialties.com – e o mini seca suv foi feito aqui em curita mesmo, pelo pessoal da BC. Da forma original

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ela foi para a forma nova.

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O guidão mais alto aumentou consideravelmente a agilidade dela, permitindo os temíveis e necessários corredores. Apesar do motorzão já cantado em verso pelo Mazzo e invejado em prosa pelo Vicente, é “aceitável” encarar o trânsito diário com ela. Considerando as outras opções na mesma faixa de cilindrada, ela é bem pequena, até.

Fizemos (eu e a Patroa) uma viagem longa até agora, quando fizemos o caminho que passa por SP e BH para chegar em Guarapari-ES, destino almejado pelo Tonhão que queria comer baiacu. Por viagem longa, entenda-se mais que 2000km, ou seja, não fomos do Gelo ao Gelo – ainda. Nesta viagem, fizemos 3700km, sendo que o último dia foi do RJ Capital até Curitiba parando apenas para almoçar e para por gasolina. Quantas vezes você já rodou 900km com a sua mulher na garupa no mesmo dia? Poisé, ela é confortável assim.

As paradas de gasolina são sempre uma surpresa agradável. O 96B-com-seis-marchas é bastante econômico na estrada, mesmo para quem carrega os seus (muitos) e mais os da Dama (poucos) quilos. A média geral dos 3700km foi 19.32km/l, Sendo que a maior parte foi acompanhada por pelo menos uma Shadow e uma Sportster.

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Drawbacks ou “Mas que Merda …” Algumas coisas nela realmente enchem o saco. Depois de 30000km 3 coisas nela continuam me incomodando. Primeiro, ela vaza graxa da mesa dianteira, graxa esta que é sempre reposta nas manutenções e pelos primeiros… 1000km, tende a se espalhar pela frente da moto. Segundo, as pedaleiras avançadas, apesar de muito confortáveis e estilosas, são “um horror para o guarda roupa”. Se você trabalha de terno, prepare-se para cozinhar algumas calças na parte não coberta do escape – que fica exposto no momento de pendular a moto para estacionar. Por último, ela tem uma posição do pezinho que é meio assustadora: ao apoiar a moto, ela sempre vai alguns cm para trás. E lá se vai o susto.

Não sou defensor da marca ou apaixonado por marketing. Mas acredito que a máquina é mais positiva do que eu poderia esperar pelo que eu pude pagar e pelo que se pode obter dela. O seguro tem um valor irrisório, algo como 700 reais para cobertura total, inclusive com guincho em todo o território nacional – coisa que usei nas 2 vezes que entortei a roda dianteira na Régis ainda não pedagiada. Os acessórios são comprados a preço de ouro na “torizada” mas são facilmente encontrados em qualquer bodega da Internet. Antes da última viagem, fiz a revisão mais cara da moto: fluidos de freio, de bengala, transmissão e motor saíram, ao total, 120,00.

Faltam diversas parcelas para eu pagar ainda, mas o Banco Santander tá cada vez menos dono dela. Espero que, assim que termine, possa fazer uma viagem um pouco mais longa com ela; quem sabe eu venha a relatar os 100000km dela falando sobre neve?

Rava.

 

14 responses to “30.000km de Harley, Softail Standart (FXST) – por Ravanello”

  1. EL GDM says :

    Uauuuuuuuuuuuu…

    Muito dez esse post.

    Parabéns, Rava!

    EL GDM

  2. thevicente says :

    Carangos e Motocas rules!

  3. Japa Loko says :

    Grande Rava,

    Vida de motokero não é facil não (igual rapadura que é doce mas não é mole!).
    Vamos marcar outras idas e idas de algum lugar para outro lugar e de preferencia sempre indo (como diria o nosso grande amigo Pilão)…..

    Abraços

    Japa Loko – 2009

  4. blogdotiozinho says :

    Ótimo post, Rabaneto…

    Do gelo ao gelo ?

    Graaande idéia !!!!

  5. Mazzo says :

    XdB.
    É bem isso mesmo.
    Constatado. Ela não vaza óleo como todos dizem, mas vaza graxa no garfo.
    MazzoAbrax

  6. Piréx says :

    Show de relato, Rava. Vou fazer um link lá do blog.

    Abraço!

  7. Samuel says :

    É isto ai Rava.. eu tive o prazer de andar numa shadow 600 por 900km’s e com 2 magnas atrás.. vazou até oleo..
    Agora eu estou decidindo qual vai ser a modelo que vai desfilar comigo por ai.. e ai, vamos motokar🙂

  8. Marcelo says :

    Ficou bom mesmo o review. Fiquei com vontade de ter uma.

  9. Belmiro Gomes says :

    Muito bom seu comentario, não fica puxando saco da moto e fala o que é preciso…
    parabens pela sua moto. foi bom ler seu post pois pretendo pegar uma tambem… desde já sucesso para vc!!!!

  10. walter garrido says :

    Ótimo post. Tenho uma FX e concordo com tudo que foi dito. O que mais me incomoda é a temperatura do motor principalmente quando estamos parados no transito. uma mototocicleta confortável e economca ; De resto a motocilceta é nota 10!

  11. Gabriel says :

    Olá amigo, gostei muito do seu relato e gostaria de aproveitar para lhe fazer uma pergunta:
    Estou pensando em pegar uma HD 0km com o mesmo propósito que o seu, já fiz uma viagem de mais de 10.000km numa xt-600 (que vendi) mas agora quero mudar de estilo, o que vocÊ acha melhor, uma blackline por 42k+acessórios ou uma heritage por 50k que já vem com todos os acessórios?

    Um abraço

    • Seo Craudio says :

      Gabriel,
      Sou suspeito para falar mas a melhor HD é a fatboy. Ela é a mais ajustadas das HDs pvibra quase nada tem um bom porte sem ser um caminhão.
      Mas um conselho que sempre dou é: não compre nenhuma moto sem andar nela antes. Pois o que serve para mim com certeza é diferente para o outro.
      Abraços

  12. Kadu ECMM says :

    Gabriel, Parabens pela HD,Este modelo ‘e forte candidato a minha compra futura.Boas estradas . Kadu ECMM

  13. Daniel Barreto says :

    Penso; sim, que a Herley deveria manter, pelo menos, por encomenda, muitos dos seus modelos com classicos, e a FXST, e um desses principalmente os da linha 2007 a 2008 desde da Sportster XL 1200 R , e tambêm a FAT BOY .
    Esse 3 três modelos deveriam ser classicos da marca USA .

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