E.P.A. Expedição Pau de Arara – por Mad Vaz de Caminha

UM PÉRIPLO BRASILEIRO

1- ANTECEDENTES.
Nos idos de maio, conversando com o amigo Piloyd, falamos sobre um velho projeto dele, que também já era meu: ir ao Recife tomar um  whiskey com uma amiga comum.
Já tínhamos estória juntos: Piloyd, junto comigo e outros parceiros, foi parte da primeira expedição à SRR (Serra do Rio do Rastro) da Lista Xédou6.0. Isso em 2004. Também já tínhamos motocado num grande grupo que veio de Sumpa e se uniu a alguns cariocas pra  prestigiar o Encontro de Macaé de 2003. Depois, em 2005, fizemos uma viagem, a Expedição Mercosul 2005, correndo rumo a Foz de  Iguaçu, entrando pela Argentina, pegando um bom pedaço do Uruguai, e atingindo o extremo Sul do Brasil, o Chuí, daí voltando pelos  caminhos mais agradáveis e aprazíveis, as sempre maravilhosas bucovaginais. Na época, voltamos à SRR – Serra do Rio do Rastro, a Meca  dos motoqueiros. Pode ser conferido em http://public.fotki.com/mercosul05/, foi uma bela motocada.

Recife era um velho projeto dele, sempre adiado, mas pra mim não era novidade, eis que já tinha ido trabalhar numa cidade vizinha ao  Recife, Cabo de Santo Agostinho, onde passei 7 meses, de 2006 a 2007. Claro que fui na Macabéia, já imaginou ficar 7 meses longe dela? 
Fora de questão.
Pois não é que o moço, pra minha surpresa, parte sozinho pra uma viagem pra outras bandas? Bem, Piloyd é o Motoqueiro Solitário,  nenhuma novidade, mas… ficou a sensação de furo.
Esculachei, provoquei, condenei mais uma ida para o sul, pela mesmice eterna dos motoqueiros da lista xédou6.0, que parece que têm  uma bússola travada praquela posição.
Passados uns 20 dias, a ligação: e aí, viadinho, vamos pro Recife? Pensei: o cara viu que deixou furo, tá querendo se redimir; – quando partimos, perguntei na bucha?

2- A LARGADA.
Pra variar passamos dois ou três dias falando sobre isso e logo decidimos: domingo, dia 20 de julho, pra estarmos de volta em 18 dias marromeno, sempre por conta dos compromissos de trabalho de meu parceiro motoqueiro, já que eu sou um vagabundo, ele não…
Já fiz essa viagem de moto e, de carro, faço desde 1986 ou 7, já rodei ali certamente umas 6 ou 7 vezes. Manjadíssima pra mim. Mas cada uma é diferente, porque, infelizmente, nossas estradas são sempre uma incógnita, podem estar péssimas na sua ida e maravilhosas na sua volta, se você demorar um mês. Ou vice-versa. Como tinha ido apenas em 2006, já era tempo suficiente pra não saber mais como estavam.
A decisão era, desde o início, sempre pelos caminhos alternativos, fora da 101. Quantas bucovaginais houvesse, tantas pegaríamos. Bem, exageramos, como referirei mais pra frente.

           

         

Domingo já começou uma coincidência muito bacana. Combinados de nos encontrarmos em Nikiti, e já na ponte encosta aquele motoqueiro com o dedo médio em riste me saudando, com aquele barulho escroto e tão admirado pelos geralmente incivilizados motoqueiros com que convivo. De alguma forma parece que a masculinidade desses caras cresce na medida em que suas motos fazem mais esporro. Bem, eles devem achar isso… Um mundo barulhento, poeirento, sujo, poluído por tanta bosta não precisava de mais essa, ainda mais produzida de forma voluntária. Se eu pudesse, teria uma moto com motor elétrico. Fazer o quê? De preferência, andar na frente pra não ser infernizado por aquela merda inútil e incomodativa… e fomos.
Pela serrinha, claro, aquela estrada bonita, apesar de muito movimentada, subindo e descendo, e enfrentando o movimento de final de domingo, com gente voltando do fimde.
Parada em Macaé, esperados pelo ex-motoqueiro, agora barrigudo e sedentário MacGiver, o Maça. Um homem que foi pioneiro na SRR, increible, mas… amigo pra caceta! Fomos tomar a bênção, de repente esperando até que o malandro veja dois motoqueiros viajando e volte a ser um, como nos velhos tempos.
Registro ruim da fase da viagem, a passagem por Campos, um sacrifício, péssimo lugar pra andar, mas indispensável, por falta de alternativa.

 

3- A PRIMEIRA BUCOVAGINAL.
Começa a ficar boa a viagem quando a gente consegue fugir da 101, entrando, em frente à pição pra Cachoeiro, pro litoral, em busca da Rodovia do Sol. Marataízes, Anchieta, Piúma, almoço de gala demorado, mas gostoso – e rumo a Vitória, nosso destino do dia.

          

Surpresas ruins são sempre possíveis, e tivemos a nossa: a moto do Piloyd, Yaci, começou a se desfazer na bunda. Amarramos como deu, e partimos, com preocupação do que poderia advir pra frente.
Vitória nos esperava com um cenário lindíssimo, na passagem pela terceira ponte, entardecendo, o marzão lá embaixo cinza escuro, o convento de Vila Velha dominando a montanha onde se localiza como se fora um castelo medieval. Um espetáculo.
Conseguimos – sempre conseguimos, é só ter paciência e calma, perguntar, que rola – um hotel modesto e confortável, por um preço razoável, fora do corredor turístico da orla. Um conselho importante: não tenha vergonha nem preguiça de perguntar, esmiuçar, fuçar… pode ser a grande diferença entre ter que se conformar com algo de que não gosta – isso vale pra qualquer assunto – e conseguir o que almeja, e de que precisa. Pois foi exatamente um atendente de um daqueles hotéis bacanas da praia que nos deu a dica do hotelzinho, até ligando pra lá pra saber se havia vaga. Ou seja: não dê uma de besta nunca; chega lá e fala: meu camarada, não dá pra bancar uma grana dessas só por uma noite, só quero um lugar limpo e seguro pra descansar e partir amanhã cedo. Resultado: a simpatia do atendente do hotelzão e a solidariedade que nos ajudou. 

 

4- MECÂNICA.
Vitória foi a hora da mecânica. Invadimos uma oficina de carros, pedimos pra usar seu espaço e algumas ferramentas, e que nos colocassem à disposição um soldador; nos divertimos a manhã inteira, na calma e santa paz, refazendo a bunda da Yaci. Outro segredo: o stress é você quem cria. As coisas ruins aparecem, você dá uma volta nelas, tira até proveito e vai em frente. Motocar é bom? estrada é xou? achávamos que estaríamos na estrada nessa hora. Mas… fazer uma mecânica, mexer na moto, também é legal. E curtimos. O resultado também ficou bom. Trabalhamos a três e consertamos o que tinha pra resolver.

            

 

5-QUEBRANDO PARADIGMAS.
Estrada de novo, até ali sempre de razoável pra boa, alguns trechos bótimos. Nada de sofrível, desde o Rio.
E mais bucovaginais: lá pelas tantas, Piloyd me diz que havia na altura de Linhares uma entrada para o mar, olhando seu mapinha inseparável. Vamos nessa? dúvidas, será que é de terra? fim do dia não é hora pra entrar em estrada de terra, vamos ver qual é; bem, era um asfalto maravilhoso até… até virar terra. Piloyd consulta seu GPS, um celulão azul preso no seu guidon, e me diz que o mar está a tantos quilômetros… e eu lá quero saber de mar? quero saber é de estrada, porra. Parados no meio do nada, uma poeirada ducaralho, 
alguns poucos veículos passando contra nós, outros por nós, usei de novo meu conselho: pergunte, pergunte, fale, aborde pessoas. 
Paramos um carro que vinha em sentido contrário, colhemos informação sobre a que distância estávamos de um lugar pra dormir, se era bom, se a estrada era assim ou assado, enfim, ficamos sabendo que dava pra chegar e descansar. Onde? No Pontal do Ipiranga, estância turística uns 17 km à frente. De terra, claro. Malandro, chegamos num estado… mas a estrada estava bem transitável, mesmo pras nossas customs, sem grandes problemas. Aos poucos fomos ficando senhores do terreno, aumentando a velocidade, tirando sarro, seguros, dentro de um limite, claro.
Nossa recompensa foi um bar à beira mar muito sensacional, apesar de vazio no meio da semana de uma temporada de férias já no final, ainda mais com um acesso tão precário. Mas tomamos nossa cerveja gelada.

Hotelzinho novamente xou, com atendimento muito humano, simpático. Detalhe: o mascote da casa era um vira latas chamado… Shadow.

A continuação da viagem, dia seguinte, foi pela terra, por um trecho lindíssimo, totalmente deserto, com poucas casas, inclusive. Lugar novo, existente há apenas cerca de 15 anos, nos informaram no dia anterior, invenção recente da população que foi ocupando aquilo.

Vai bombar, tenham certeza. Tive a nítida sensação que estava num Porto de Galinhas dos anos 70. Não tão bonito, claro, porque Porto de Galinhas é um fenômeno, mas muito bonito e com tudo pra dar certo, pelo menos até asfaltarem tudo, ocorrer o boom imobiliário, super ocupação e aí, como Porto, como Búzios, e tantos outros, começar a virar uma merda.

Fizemos nesse trecho alternativo pelo litoral, desde Linhares um total de quase 100 km por terra. Fomos até São Mateus assim. Experiência interessante. Meio tensa no início, sempre, mas acaba-se relaxando. Como disse o Piloyd, quebramos paradigma de moto custom não poder andar em terra por tanto tempo e tão bem.

 

6-POEMA DE ASFALTO.
Dali pra diante, viagem sempre tranqüila, sem grandes novidades, tendo que voltar pra 101.

Até ficar melhor quando, em Travessão, você pode fugir de novo pro litoral, em direção a Camacu e vizinhanças, perto do mar, em bucovaginais que eram uma pintura. Lembro-me que me referi a esse trecho como Poema de Asfalto, em relato a amigos. Disse mesmo que, se Carlos Drummond de Andrade fosse engenheiro, seria essa uma estrada que ele faria. Que curvas, que sobe e desce, que mato no entorno bonito, tudo verdinho, da maior qualidade, sempre em baixa velocidade pelo traçado sinuoso e pela estreiteza da pista, que, acima de tudo, era de boa construção, com asfalto perfeito. Um passeião. Tivemos que passar em cidadezinhas, claro, com quebra molas espalhados sempre, mas valeu. Pressa pra quê? a curtição era o trajeto; então…

 

7-DE BALSA PARA A BAÍA.
E seguimos até Salvador, pela ilha de Itaparica, onde se pega uma balsa pra atravessar a baía de Todos os Santos. Como é sensacional você fazer uma parada no seu trajeto que, na verdade não é uma parada, porque, afinal, você está andando. De barco.

Curtindo o movimento, o balanço das águas, o vento fresco, o entardecer bonito, o elevador Lacerda ao longe, o Farol da Barra, a Bahia, como dizia o grande Jorge Amado, que trocava o nome da cidade pelo do estado, numa imponência que só Salvador tem.

Passagem rápida por dentro da cidade, com ajuda de alguns informantes – insisto sempre: pergunte, pergunte, admita sua ignorância, sua necessidade de ajuda, que sempre aparece alguém de boa vontade pra ajudar, instruir, orientar – e logo estávamos na estrada rumo ao norte: a Estrada do Coco.

Parada logo depois de Salvador, noite já se fazendo, em Arembepe. Pra que continuar? andar mais 40 km pra chegar em Praia do Forte, como pensáramos, pra quê? tava bom ali. Ficamos, achamos, mais uma vez, uma pousadinha beleza pura, um puta restaurante internacional cheio inclusive de gringos, com fundos numa praça e frente dentro da areia do mar, uma beleza rara. Caro? não, estávamos nas proximidades de uma cidade grande, mas estávamos numa cidadezinha; próxima de um grande centro, gostosinha, mas simples…

 

8- A LINHA VERDE.
 Esse trecho da viagem foi muito bom, porque logo chegávamos a Sergipe, curtindo uma das mais sensacionais estradas onde já andei, em qualquer lugar do mundo: Linha Verde. Pra ter uma idéia da Linha Verde, você deve considerar o seguinte: não passa caminhão, a estrada é larga, pouquíssimo movimentada, parece até esquecida do mundo ali, num trecho de cerca de 200 km, e SEM QUALQUER CHANCE DE ABASTECIMENTO. Portanto, cuidado, motoqueiros de tanque pequeno – a maioria. Mas é muito xou! Que desenho das pistas, que vastidão vazia, que retões, que curvões maravilhosos, quase retas, suaves e bem desenhadas, que inclinações perfeitas nessas poucas curvas, que visual verdejante e feérico de natureza, quase sem elevações, mas uma boniteza só!

 

9 – A LITORÂNEA, DE MACEIÓ AO RECIFE.
 Ao chegarmos às Alagoas, optamos por ficar lá. Podíamos ter ido mais, mas resolvemos, numa boa decisão, entrar pela litorânea, passar pelo Francês e ir seguindo pela Al-101 até chegar a Maceió. A saída da 101 é sempre uma boa decisão, pra quem quer estrada mais vazia, mais tranqüila, normalmente melhor. Chuva aí, respingos, que o diga, mas antevendo-se o pretume que chegava e que certamente nos brindaria no dia seguinte com água à vontade. A passagem por Maceió me lembra imensamente a passagem por Montevidéu. Em que? bem, na disposição da estrada. Claro, estamos falando, no caso de Maceió, da litorânea, que você tem que pegar saindo da BR101. A partir do encontro do mar, você segue, passa por Maceió, continua no litoral, e encontra a litorânea Maceió-Recife, sempre fora da BR.101. No Uruguai é o mesmo. Você vem pelo litoral (não há, ali, outra opção), e vislumbra ao longe os prédios de Montevidéu. Se quiser passar direto, a única coisa que tem que fazer é continuar sempre pela praia, cruzando a cidade sem “entrar” nela, até que os prédios vão rareando e, de repente, você está no caminho de Punta del Este. Já fizemos, como disse antes, esse caminho, Piloyd e eu, sós, na Expedição Mercosul 2005. Fiz de novo, com outro amigo, Crauducho,dessa vez com nossas mulheres engarupadas, na volta do Chile, em 2007.
 Nosso pernoite em Maceió foi de primeira, no Ibis, frente pro mar. Chovia a píncaros durante a noite, e saímos com água no dia seguinte.

Nada demais, mas a partir daí tivemos que curtir um pouco de água nas estradas. Que não eram tão boas no estado de Alagoas, mas melhoraram sensivelmente quando entramos em Pernambuco.
 E foi maravilhoso ver “minha região”, eu, morador antigo de Recife, na década de 80, e visitante freqüente por força de meu amor por aquela terra, como aliás por todo o nordeste… muito gostosa a sensação do tô chegando em casa, ainda mais levando um amigo que não conhecia, pelo menos chegando por terra, esses locais. Sabe o que é você se sentir dono do lugar? pois é, sensação impagável, é o famoso “não tem preço”.

Foi água nessa manhã, mas, como tudo de ruim que não dura pra sempre, e tudo de bom que sempre acaba, o tempo abriu; não num dia ensolarado daqueles maravilhosos e frescos, mas o suficiente pra gente poder andar mais tranqüilo, apenas com ameaças de chuva. E logo chegamos a Gaibu/Suape,

onde entramos pra uma visita a amigos que hoje administram o hotel que reformei, paraíso terrestre, onde vivi sete meses de trabalho intenso, mas recompensador, pelos resultados que conseguimos, em 2006/7. Vale a pena conhecer, gastar uma graninha pra ficar ali numa ocasião especial, porque é uma maravilha. Pode conferir em http://public.fotki.com/ecoresortdocabo/
Abraços e beijos, festa de surpresa nos recepcionando, neguim querendo tomar cerveja, que a gente almoçasse, mas… havia o almoço prometido e esperado na casa de Maria Manoel, no Recife, certamente com acepipes dignos dos deuses. E saímos pela estrada, a apenas 40 km de nosso destino, Recife, cidade pequena porém decente, como se dizia antigamente.

 

10-RECIFE, CIDADE PEQUENA PORÉM DECENTE. 
A chegada não poderia ter sido mais desejada nem esperada. Maria Manoel tem o dom de ser amiga de todos, e, se é possível, a amiga das amigas, quando são já antigos os amigos. Uma criatura impensável, pensem… Mais algumas queridas amigas,

de tempos memoráveis e inesquecíveis estavam presentes, e foi o banquete nordestino: buchada, lombinho, costeletas, feijão de corda, cacilda, o escambau! Coisa de cinema.

Internet pra falar com os familiares e amigos no Skype, emaíus, cervejas geladas, whiskey, enfim, tudo que tem direito. Claro que teve o rolezinho básico Recife/Olinda prá mostrar ao Piloyd a “minha cidade”.

 Recife incluiu ainda uma memorável visita a um dos mais lindos sítios do mundo que já visitei, a OFICINA DE FRANCISCO BRENNAND, artista plástico de fama mundial, que montou, ao longo dos anos, um verdadeiro museu ao ar livre, com o conjunto de suas obras que não estão espalhadas pelo orbe. Um cara sensacional, coisas sensacionais, absolutamente originais e genuínas. Visita imperdível pra quem for ao Recife. Pode conferir na internet, também, que vale a pena. Brennand! Esse nome tem peso.

    


Paramos na Suzuki prá uma revisão na Macabéia e troca de óleo da Yaci. Revi meu camarada Tasso, dono da autorizada, vajeiro mais que frequente, homem que já foi mais de uma vez ao Alasca e agora se deu ao trabalho de dar a volta ao mundo de moto, cortando as espetes e a Sibéria russas. Motoqueiro de primeira linha, claro.


Revisão nas motocas e partida foi rápido, mais do que eu desejaria, pela minha ligação com aquela terra e com aquelas pessoas, mas… tínhamos decidido ir a oeste, e a viagem, a essa altura já tínhamos convicção, estava apenas começando.

 

11-RUMO AO OESTE. 
E emburacamos pela BR.232. Gente, só vendo. Você que imagina as estradas do norte umas bostas tem que passar nessa; uma estrada de absoluto primeiro mundo, com um traçado maravilhoso, larga, bem sinalizada, com a parte da Serra das Ruças (que outrora foi uma máquina de fazer cadáveres) lindamente dividida em traçados independentes e seguros, a exemplo da Serra das Araras na Dutra. Mão e contra mão independentes até depois de Caruaru, com os maiores requintes que se pode desejar em termos de excelência numa estrada… 
sem qualquer tipo de pedágio, diga-se de passagem. E bem vazia, aduza-se, o que a torna ainda mais atraente. Uma festa pra um motoqueiro, enfim. E sol, céu azul, piso perfeito, a gente fez uma motocada matinal das melhores da viagem, com uma meta: chegar a Juazeiro do Norte,

onde nos esperava um grande amigo, Nilson, que com sua família vive ali, revolucionando a construção civil da região, criando moradias de todos os tipos e padrões para atendimento das várias necessidades dos interessados. 

Vibrador, amigo, parceiro e comandante da reforma do Eco Resort do Cabo, co-criador do complexo hoteleiro da Costa do Sauípe, um monstro de gente. Com uma família maravilhosa: Celinha, sua galega, e Dá20 e Clarita, seus pentelhos, in cre i bles na vivacidade e no carinho que exalam. Uma noite inesquecível que, infelizmente, foi uma só, mas que, se pudéssemos, repetiríamos por muitas.

No dia seguinte, após aquele café da manhã light nordestino,

fomos “fiscalizar” as obras do casal, empolgadésimo pela oportunidade que estão tendo de fazer casas bacanas, decentes, a preço justo, negociando de forma honesta e social com os futuros moradores, que estão aderindo à larga ao sistema. Sucesso! Não se poderia esperar nada diferente da dupla! OMEGAPAR é um nome que vai bombar, certamente.

 

12- AS CHAPADAS COMEÇAM. 
E vamos a oeste, agora nossa meta é Palmas, no Tocantins, cruzando pedaço do Ceará, Piauí inteiro,

uma lasca do Maranhão,

nos aproximando do Pará, de onde estivemos a apenas cento e poucos quilômetros…
 No trecho, começam a aparecer as formações geológicas CHAPADAS, desde a do Araripe, no Ceará, até a dos Veadeiros, em Goiás. E já tivemos mostra dessa beleza quando, ao entrarmos no Tocantins, cruzando o rio do mesmo nome,

vimos o Morro do Chapéu, tão referido e tão anunciado como beleza natural de primeira, que tem tantos clones na região que fica até difícil dizer qual é o original.
E não posso deixar de referir como momento especial da nossa epopéia a travessia do Rio Tocantins,

da cidade de Carolina pra Filadélfia, onde nos esperava, à margem do mesmo rio, um hotel muito especial, qual um Copacabana Palace fluvial, de nome engraçado, Pipes.

Dominando uma colina na encosta ao lado do rio, após uma pitoresca travessia de balsa, juntamente com todo tipo de carretas e ônibus, curtimos ali um sensacional pordo, movido a geladas absorvidas com a sede dos viajantes, ressecos pelo dia de lei seca passado nas estradas…

Uma noite bem dormida nos preparou para o dia seguinte, começado com um espetáculo inesquecível do nascer do sol, de frente para o Tocantins, da janela do nosso hotel. Ver o Morro do Chapéu ser cuidadosa e vagarosamente iluminado por um sol nascente, num horizonte límpido de um dia prometendo beleza foi um dos grandes momentos da viagem. Que teve tantos! As estradas do Tocantins estavam boas, foi um prazer inenarrável motocar ali, com uma altitude de mais de mil metros, em alguns trechos 1500 metros, parecendo até que estávamos numa planície. Mas eram planaltos, emoldurados lindamente pelas chapadas em quantidade que descortinávamos o tempo todo. E aquele estradão serpenteando no meio das montanhas, num tobogã fantástico, piso bom, curvas suaves, que maravilha. Que maravalha!!! Dias inesquecíveis…  

 

13- MOMENTO RUIM. 
Rumo a Palmas, pelas estradas chapadianas, sempre com surpresas, algumas boas, outras nem tanto. A ruim foi a perda idiota de meus documentos, todos, pessoais e da Macabéia. Caídos de um bolso onde não deveriam ter sido colocados. Foi em Guaraí. Percebido no próximo abastecimento, a 150 km, que motivou uma parada na delegacia de polícia da cidadezinha pra registro, além da visita ao posto da Polícia Rodoviária Federal, onde rolou uma atitude bacana de um policial rodoviário que levantou todos meus dados de veículo, identidade, habilitação e me forneceu cópias. Uma grande ajuda. Se tem notícia ruim, tem a boa também. Em Palmas eu já sabia, por minha mulher, que um policial de Guaraí já tinha ligado pra minha residência, no Rio, dizendo que estava com TODOS os documentos. Aí foi só combinar uma remessa pra Palmas, através de um serviço courrier de vans, e à noite eu já estava com eles na minha mão. Bacana pessoas assim, né? A que achou e entregou na delegacia de Guaraí e o puliça que ligou e ainda correu no ponto das vans pra viabilizar a entrega. 
Xoudebuela!

 

14- PALMAS, UMA BELA CIDADE. 
Outra surpresa maravilhosa foi a cidade de Palmas.

Meu parceiro Piloyd ficou meio chocado com tanto investimento pra fazer uma cidade tão grandiosa numa região não tão rica. Falou pra cacete sobre uma via larguíssima ligando a cidade ao aeroporto, toda iluminada, passando pouca gente. É vero a parte sobre a avenida que leva ao aeroporto; não carecia tanto gasto com ela pra época nem, principalmente, tanta luz acesa, pelo pouco movimento. Quanto à cidade, na minha opinião, nada contra: fazer coisa bem feita, de cimento e asfalto, ou seja, quase para sempre, é um bom investimento.

Gastou-se muito? sem dúvida, mas tem-se uma coisa de qualidade. 
Ninguém vai ali ter problemas de congestionamento tão cedo, nem vai precisar ficar reparando asfalto de bosta tão cedo. Fizeram pra durar. Fizeram bem.

 

15- GOIÁS.
 A próxima surpresa boa que nos foi reservada foi a passagem, para pernoite, por uma cidadezinha muito pequena, de nome Campos Belos,

          

onde descobrimos um hotel tão fantástico que destoa totalmente do resto do visual da região, e a preços incrivelmente baratos, sem perda da qualidade. Quem disse que não há coisa boa, bonita e barata? Em Campos Belos, Goiás, tem. É o Serra Verde. Não tem como errar porque já se vêem inúmeras placas na proximidade da entrada de Campos Belos. Casarão tipo Colonial, salão de refeições, salas agradáveis de estar, um belo recanto de piscina ao ar livre, com vista para as montanhas da região, enfim, tudo que você não esperava encontrar numa cidadezinha tão modesta.

Depois de um dia de viagem, meus amigos, com rabo quadrado, calorão, vou te contar, você chegar num lugar desse, ser bem recebido, cair numa piscina tomando uma Original… fala sério! Uma das mais agradáveis surpresas da viagem, sem dúvida. Numa próxima, sem dúvida será programada uma esticada que termine o dia ali.(F42B)

 

16-CHAPADA DOS VEADEIROS. 
E a próxima parada foi simplesmente na Chapada dos Veadeiros.

 

Lugar que dispensa apresentações, mas vale a pena repetir e enfatizar: que lugar abençoado!!! Numa região de altiplano bem elevado,

(F44)cerca de 1500 metros, com quase todas as atividades turísticas centralizadas na cidade de Alto Paraíso, ponto de partida para os inúmeros passeios, trilhas, cachoeiras, está essa dádiva da natureza.

      

Não tínhamos tempo para ver tudo, porque as cachoeiras, principais atrações, estão muitas vezes a 30 km de distância, ou mais, por trilhas ou estradas de terra. Coisa pra fazer a pé, ou de trail, ou de jipe, e com tempo. A cavalo, então, seria le bichô. Mas nós estávamos de passagem apenas. Sentimos o cheiro, curtimos de leve, e ficou pra próxima. Mesmo assim visitamos a Cachoeira do Poço Encantado, bem perto da estrada e, em Alto Paraíso, após um excelente almoço e contato agradável com um motoqueiro que vivia ali e indicações dele e do dono do restaurante, decidimos ir até o Portal da Chapada, um complexo com várias atrações, inclusive hospedagem e cachoeira. 
 Já em fim de temporada de férias, o Portal estava absolutamente vazio, sem hóspedes. Pensamos em nos hospedar ali, fazendo uma oferta decente ao gerente, considerando que as pições dele, em relação a nós, era quarto vazio ou dois mulambentos apenas dormindo e partindo até sem o café da manhã. Nosso amigo, num rasgo de “excelente e inusitada gerência”, preferiu ficar sem ganhar nada, para não fazer uma redução razoável. E foi ótimo. Pagamos a taxa de utilização das instalações, da cachoeira, dei minha caminhada,

 

(Piloyd, preguiçoso, foi banhar-se) pela Trilha Ecológica, 3.200 metros de caminho no meio do mato, com piso de madeira, elevado do chão, passando por inúmeros locais bacanas, e terminando justo na piscina. Foi dez. A cachoeira da propriedade é uma grandeza. Um lago de boas proporções na frente dela, com até oito metros de profundidade numa água gelada como costuma ser água de cachoeira.

Ainda mais nas montanhas, nas chapadas… Tiramos todo o possível cansaço que ainda restava de nossos últimos dias e ainda ficamos com crédito pra um mês de motocada.

O ótimo: o fato de não nos hospedarmos ali, num complexo deserto, que não seria tão interessante quanto foi a hospedagem na cidade, bem no miolo do agito (agito nem tanto, porque estávamos fora de estação, mas pelo menos tinha gente). Restaurantes, inúmeras pousadas, preços pra turista. Incrível também a falta de sensibilidade de nossos hoteleiros pobrezinhos de cabeça e espírito que só querem meter a mão por conta da famosa relação oferta/procura, e depois, numa situação como essa, de vazies total, ficam barganhando e baixando o preço despudoradamente, caindo a níveis do real pra não perder os clientes. Acabamos na base do leilão e acabamos optando por uma pousada bem legalzinha, que não tinha nada que justificasse a cobrança dos 50 reau que pagamos, muito menos os 80 ou 90 da temporada de férias. Uma lástima esse mercado tão prostituído. Mas ficamos bem, saímos pra um crepe numa creperia que não fica devendo nada às melhores de Paris, acreditem; falando dos crepes, não das instalações, bem simples. Foi bom também. Tudo é bom quando você está fazendo uma coisa de que gosta e em boa companhia. Se o tempo está bom, então… e estava xdb, sempre, desde aquela chuva de Maceió/Recife nem uma gota dágua sequer, aquele sol gostoso porque não fazia tanto calor e aquele céu azul de motoqueiro. Dali em diante já poderíamos nos considerar de volta.

 

17- AS MINAS GERAIS. 
Daí pra frente foi só uma idéia: chegar. Tanto havíamos visto e curtido e a vontade de rever os amigos e festejar essa motocada era enorme, deixando um pouco de lado o resto. Até porque havia uma paisagem que já se tornara constante, e sem novidades. E você sabe que acaba se acostumando ao lindo… Nossa intenção era passar por Minas, limite com São Paulo, em Frutal, pra pernoitar com conhecidos motoqueiros. Nosso grande amigo Crauducho, acompanhando avidamente nossa viagem, participando mesmo em intenção, se preparou para um resgate nessa cidade, que combinamos, talvez trazendo mais algum companheiro junto. Mas… nem sempre os planos se completam e viram realidade. Fizemos o trecho já em Minas Gerais e percebemos que nossa previsão de pernoite não poderia se realizar. Planejamento abortado, até porque o dono do GPS ficou mais atento no próprio do que nas placas de sinalização da estrada e, mesmo eu tendo alertado para o caminho errado que tomávamos, insistiu no erro, e fomos nós pra uma outra parte de Minas. Não muito longe, é verdade, mas o registro é apenas pra concluir, pelo menos concluo eu, que GPS pode ser bom até, mas mapas e sinalização são melhores…
Sempre se pode tirar um bom proveito dos erros e, quando a coisa dá certo, dizemos, como diz o Motoqueiro Solitário, Piloyd: há Manaus que vêm para Beléns… e fomos parar em Paracatu, Minas Gerais. Dali o trecho a ser feito no resto da tarde, já que não havia mais possibilidade de chegarmos a Frutal, era Paracatu>Coromandel. E fomos nós saindo de Paracatu e mais uma surpresa incrível nos aguardava. Eu não tinha a menor noção de que estava num platô; o que se nos apresentou ao passar a última barreira urbana e entrarmos na estrada foi uma paisagem de tirar o fôlego. Percebemos que se iniciava uma descida imensa, em direção a um baixio de proporções gigantescas. Ou seja, estávamos lá no alto de uma região e começávamos a descer em direção a uma outra região bem abaixo. Dois planos totalmente diferentes, que não tínhamos percebido de jeito nenhum pelas estradas por onde vínhamos. Que espetáculo ver a descidona imensa, com todo aquela região bem abaixo, também com morros, mas num plano inferior. Vínhamos do segundo para o primeiro andar. 
E por uma bela estrada, sem dúvida. Foi um dos trechos mais bonitos da viagem: quase duzentos quilômetros, a princípio descendo vertiginosamente, numa longa descida, e depois viajando por entre as colinas, morros,  enfim, acompanhando o traçado da estrada e antecipando já para onde ela se dirigia, sempre se esgueirando entre as inúmeras elevações que percebíamos de longe. Um belo trajeto! Fim de tarde, a preocupação de chegar logo, sabendo que a qualquer hora viria chuva, porque passamos, logo que chegamos ao “chão”, pela ventania que fazia meu parceiro, que ia à frente, parecer uma figura meio fantasmagórica penetrando num túnel de folhas revoltas pelo vendaval que se formava.
E íamos por ali, tão velozes quanto possível, limitados pelas curvas constantes, mas ajudados por um bom piso de estrada vazia, felizmente, tomando conta das nuvens negras que se formavam e nos acompanhavam ora pela esquerda, ora pela direita, dependendo do traçado da estrada. Emocionante, bonito, e ao mesmo tempo ameaçador… Cerca de uma hora de suspense. Sem saber pra onde estávamos indo na verdade, em termos de rosa dos ventos, de direção, a idéia que nos assaltava era de que tanto podíamos estar indo pra 
dentro da chuva quanto saindo dela. A mágica foi que pegamos uns pingotes de nada, quase nem molhou a viseira do capacete, e saímos daquele trecho escuro e entramos na claridade de um belíssimo fim de tarde, com direito a mais estrada perfeita, que nos levou direto a Coromandel, típica cidadezinha mineira, numa encosta de grande colina, com as ruas subindo por ela e formando a civilização pelo caminho. Um bom hotel para um merecido descanso nos esperava, não sem antes irmos a uma pizzaria bem perto que nos serviu uma ótima refeição e algumas geladas da melhor qualidade.

 

18- A CHEGADA EM C.U.
Dia seguinte, trecho final de nosso destino – RIO CLARO, C.U., terra do Crauducho. Que, se não tinha nos alcançado na véspera, força da ida a Frutal abortada, vinha ao nosso encontro pro resgate esperado ansiosamente, creio que de parte a parte.  Na entrada da Anhanguera, a parada pra uma foto,

que deveria ter uma placa da entrada em Sumpa… mas não tinha. O registro foi feito apenas com o nome da via. Estradão de novo, e foi um tal de telefona pra cá, mensagem pra lá, e o Crauducho vindo. Numa das paradas pra ligações e combinações, lá vem nosso amigo procurando uma passagem pra retornar e vir pela nossa pista. Foi um momento de emoção – mais um – ver a trinca reunida mais uma vez, coisa rara e valiosa. Desde a SRR1 (nossa primeira expedição juntos, à Serra do Rio do Rastro) temos poucas oportunidades de pegar uma estrada juntos. Ora sozinhos, ora em dupla, mas raramente em trinca, o que seria muito bom que acontecesse mais amiúde.

Os tradicionais abraços, beijos, fotos, sacanagens, lugar comum prazeroso nesses momentos, com a vantagem de uma Anhanguera àquela hora – pelas 11 da matina – bem vazia, num lindo dia. E foi um tal de ultrapassa um, ultrapassa outro, formação de duplas, fotos e mais fotos, naquela alegria de reencontro que só quem tem saudades sabe reconhecer. E nós três tínhamos, tanto uns dos outros quanto desses momentos fantásticos de motocar em conjunto, com amigos.  Foi um trecho funcionário público, pra cumprir horário apenas. O que queríamos era chegar a C.U. e encarar umas cervejas geladas e a carne que nos esperava, mais todos os relatos atropelados, as perguntas, os cortes, as combinações, as promessas de próximas juntos, indizível, indizível. Crianças é o que somos nessas horas, adolescentes, talvez, e como é bom isso!!!

Juntaram-se a nós alguns motoqueiros da tchurma das proximidades do Crauducho, que vieram ávidos de novidades e também saudosos e cordialmente solidários, invejosos, claro, de nossa experiência, com aquela inveja amiga do “também queria ter ido”, “na próxima estarei junto”, mas que bom que vocês foram… E assim curtimos uma tarde especial na companhia de quem entende da coisa, e fala a mesma língua. Nada melhor do que falar de avião com aviadores… Falar de moto com motoqueiros… E ficar olhando nossas meninas e ir lambendo as crias…

 

19-NOVA INTEGRANTE NA E.P.A.
Era quarta, e havia uma programação toda especial pra quinta: a incorporação de minha mulher, Jane Boop, à expedição.
Combináramos, durante a EPA, que ela cairia de pára-quedas em Viracopos, na quinta, passaria o fimde conosco e voltaria comigo fechando com chave de ouro a EPA, na segunda, partilhando os últimos 605 kms (distância porta a porta casa do Crauducho X Sovaco do Cristo, minha casa) de estrada.  Pois fomos lá quinta feira, no meio do dia, Piloyd e eu, esperar minha amada em Campinas, de malinha pequena, equipada pra estrada, capacete a tira colo, pra rodar de volta pra C.U., enquanto Piloyd se despediria e iria pra sua casa.

Um último almoço no Serra Azul, perto da região, encerrou nosso novo trio que acabara de se formar e já se desfazia. Piloyd partiu pra um lado, encaramos o outro, por uma nova Bandeirantes com mais vento do que os furacões da Flórida, puta que pariu, o que é isso, aquele descampadão ventoso nos rachando de incômodo e até medo, parecendo que a moto vai voar pelos ares ou ser tirada da estrada, tanta força tem-se que fazer pra manter a direção. Novamente a situação de Paracatu > Coromandel, chuva iminente ameaçadora o tempo todo, nos acompanhou pelos 130 kms. Além daquela ventania, as nuvens negras ali ameaçadoras, ao lado esquerdo, depois ao direito, o tempo todo. E, como não estamos vendo as coisas de cima, e a estrada serpenteia variando a posição de acordo com sua projeção, nunca sabemos realmente se estamos indo pra dentro da chuva ou fugindo dela. Um suspense total! Que novamente terminou bem. A chuva foi toda pro lado de Sumpa, e passamos ao largo, felizmente. Chegamos sequinhos da silva.  Claro que foi mais uma festa, Crauducho e Veroca, nossos companheiros de longa data, amigos próximos e queridos, com quem inclusive já trilhamos as Cordilheiras dos Andes (http://public.fotki.com/imbechile) e alhures, fizeram-nos a festa de sempre. Redundância dizer que foi só alegria. Programações familiares, amigais, e o fimde foi de visitas, primeiro de toda a família Ucho, com seus corolários – namorada, sogro e sogra, enfim, um monte de gente – e também com nossos afilhados de casamento, no sábado, Fabão e Déia, com sua princesinha linda, Gaby,

 

cada vez mais esperta e gracinha!  Resumindo:fimde perfeito.

 

 

20-A CHEGADA, FIM DA EPA.
 Segunda, naquele momento sempre triste e que dá raiva, a hora da partida, o mais cedo possível pra chegar cedo e não encarar o trânsito de chegada no Rio na hora do rush. Sete da matina já estávamos montados na Macabéia, num nevoeiro londrino, bom sinal de que não haveria chuva, mas com um frio do cacete, do qual se ressente principalmente a Jane, apesar de toda encasacada. Nossos amigos, anfitriões, à porta, prá despedida e bons desejos.

A viagem, como sempre, foi tranqüila, pelos caminhos mais do que conhecidos, já tão manjados que a Macabéia vai no piloto automático. Anhanguera, D. Pedro, Carvalho Pinto, Dutra, Linha Vermelha, Sovaco, parada pra largar as tralhas no Sovaco, chopp e rango.

Simples e rasteiro. A volta à cidade merdavilhosa é sempre boa.

21- E AÍ?
 Revejo as fotos da viagem, várias vezes. Vi também um monte de vezes os trechos postados pelo Pilão no Youtube, sob o título oficial E.P.A. Expedição Pau de Arara, num total de 9 fases. Vejo e revejo o DVD oficial definitivo da viagem, também de autoria do Piloyd, caprichado, feito com esmero, bom gosto e a mente voa por aqueles instantes fabulosos, pelo asfalto, pelas montanhas, pelas matas, chapadas, pessoas encontradas, com quem conversamos. Detalhes, como um simples registro de hotel, uma conversa à toa, um frentista de posto dando uma informação, uma opinião, perguntando sobre as motos, são lembranças que voltam e trazem a satisfação do realizado.
 E fico pensando: quantas vezes somos saudados pelos passantes na rua, quantas buzinas de carros, de ônibus, caminhões, piscadas de farol, quanta festa por nossa passagem! Pessoas se manifestam tanto quando veem motos, quando encontram motoqueiros! E de uma forma totalmente positiva! Isso é em todo lugar, é tão comum que sempre li nessa atitude das pessoas uma  mensagem: elas admiram, curtem, gostariam de estar ali em cima daquelas motos, possuí-las, conduzi-las..e, mesmo não estando, se  solidarizam conosco porque estamos no lugar onde gostariam de estar; sua generosidade é patente, óbvia… na verdade, somos sua  fantasia. É claro isso, inequívoco, de uma evidência límpida. E eu acabo concluindo, curtindo todo o prazer de estar em cima da Macabéia, como tive pilotando a Benedita, a Gorda, a Cigana, a Grisa, a Maria Preta, a Nalu, a Zequinha; todas, de qualquer cilindrada, que vivo ESSA MESMA FANTASIA. COM UM DETALHE: TENHO A VANTAGEM DE NÃO ME PROJETAR EM NINGUÉM, POIS SE TRATA DA MINHA FANTASIA!
FANTÁSTICO!!! EU SOU MINHA PRÓPRIA FANTASIA!!!
Beijundas.
Mad.

fotos = http://public.fotki.com/paudearara

3 responses to “E.P.A. Expedição Pau de Arara – por Mad Vaz de Caminha”

  1. Piréx says :

    Relato porreta, Mad… Viajei junto.

    Abraço,

    Piréx

  2. Pilao says :

    PutaQueUsPariu !

    Viajei de novo !

    Parabéns, amigo e veterano companheiro das já tantas Expedições, e agora, oficialmente nomeado nosso Escriba Oficial, Doutor Marco Vaz de Caminha !

    Seu texto cumpriu, com louvor, nosso objetivo de compartilhar nossas experiências com nossos amigos das duas rodas, e dizer a eles que basta encher o tanque e viver, viver aquilo que está entre o asfalto e a borracha dos pneus: nossas próprias fantasias…

    Parabéns de novo, pois Há Manaus Que Vêm Para Belém !

    Abraços por trás !

    Piloyd

Trackbacks / Pingbacks

  1. Tiozinho motocando « Blog do Tiozinho - 30/11/2008

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