Archive | agosto 2008

Honda VTX 1800C: Exagero em Duas Rodas – por Léo SJK

Na dianteira suspensão invertida Showa, duplo disco de freio flutuante com pinças de seis pistões montados na extremidade de bem acabadas bengalas de alumínio. Na traseira o disco flutuante simples também merece pinça de 6 pistões, combinados com o os dianteiros pelo CBS. Ambos os eixos carregam pneus de alta performance montados em belíssimas rodas de liga leve. Por este parágrafo o leitor acreditaria tratar-se de uma moto superesportiva japonesa.

 Estou falando da Honda VTX 1800C a venda no Brasil. Pelas suas características, a VTX poderia ser considerada uma versão anabolizada da bem sucedida Shadow: estilo Custom, motor em V a 52 graus, 2 velas e 3 válvulas por cilindro, freios Nissin e mais meia dúzia de componentes menos importantes aproveitados para garantir as origens. E pára por aí.

Diz a tradição que moto Custom tem motor V2, pedaleiras avançadas e cromados, muito cromados. O resto é uma variação disso aí, com as versões “bandidas” trocando os cromados pelo preto. Muito bem, a tradição da Honda VTX  1800C acaba neste ponto.

O conjunto mecânico deixa claro que não estamos diante de uma tranqüila moto Custom. São 1795 cm3 em apenas dois exagerados cilindros. Aliás a moto inteira é superlativa, exagerada em tudo do projeto a seus compradores.

A absurda tampa da embreagem contornada pelos não menores canos de escape denunciam o que o piloto desta máquina carrega entre as pernas (aviso aos mais afoitos, me refiro apenas aquilo que foi criado pela engenharia).

São 96,5 cv e 15,9 kgfm de torque. Para quem não entende de momento de inércia, esta moto tem a mesma força de um Chevrolet Astra e carrega apenas um quarto do peso. Para efeito de comparação a CBR 1000RR tem 11,3 kgfm e a Harley Davidson com motor de 96 polegadas cúbicas entrega 11 kgfm. Isso se traduz em força bruta, superada apenas pela caríssima Triumph Rocket III e pela Vulcan VN2000, que só está disponível no Brasil através de importadores independentes.

Acelerar uma VTX é uma sensação única. A cada troca de marcha seu alto torque dá a impressão que vai arrancar o guidon das mãos. A vibração é baixa, mérito dos eixos contra-rotativos, não muito comuns em uma moto Custom. Outro comportamento não esperado é sua estabilidade, acima da média para uma moto deste porte e estilo. Não é uma moto de competição, claro, mas é firme e segura mesmo em aceleradas a 190 km/h ou em tranqüilas estradas sinuosas. Pilotar uma VTX é tão fácil que mesmo depois de 600 km
rodados apenas no primeiro dia não senti o menor sinal de cansaço, ao contrário, ainda tinha vontade de rodar por mais algumas centenas de km.

No trânsito seu porte atrapalha, essa moto não nasceu para o congestionamento das cidades brasileiras, e sim para estradas longas e com asfalto perfeito.

O consumo de 17 km/l é bom considerando seu porte, estilo, peso e tamanho do motor. Apenas 3 km/l a mais do que uma Shadow 600, uma moto com 1/3 do motor e 110kg mais magra. Claro que o motor da VTX é bem mais moderno, alimentado por Injeção Eletrônica, além do fato de que toda a força disponível não exige que se “torça o cabo” para manter velocidade de cruzeiro em torno de 120 km/h como na Shadow.

Seu porte intimida e provoca. Não há identificações, o tanque negro está decorado apenas com os Flames em degradê. Quem a vê passar na rua não deixa de virar o pescoço, já que sua presença é rara em nosso país.

Como defeito desta maravilhosa máquina eu colocaria seu preço proibitivo. Os US$ 12 mil que ela custa nos EUA viraram incríveis R$ 60 mil, culpa do nosso governo que suga o bolso do contribuinte vorazmente sem nem ficar vermelho. Contribui também com este valor estratosférico a política de preços da Honda, que embora tenha baixado o preço da VTX nos últimos 2 anos, não o fez de maneira a acompanhar a queda do dólar.

Como um de seus felizes proprietários,  posso dizer que a VTX é orgulho puro. Não tem a tradição de uma Harley Davidson, com a qual nem deve ser comparada. Uma HD é uma legítima moto Custom enquanto a VTX está em categoria chamada Performance Cruiser. Mas tudo o que os compradores da VTX buscam é romper com as tradições.

Leonardo Marindo de Souza

Imagem do dia (mas foi tirada a noite) Suzuki Marauder: Marota e Flicka

 

 

Para deixar como papel de parede :

1 – clique na foto,

2 – depois dela ampliada, clique nela com a tecla direita do mouse e selecione – definir como plano de fundo.

abraços

Seo Craudio

Salão de Motos de Porto Alegre – Edição 2008 – por Piréx

Depois do meu artigo sobre a CB1300SF  aqui no Cultura de Privada, me escalei para escrever outros e o Seo Craudio autorizou; desde então, aguardo o final da série Expedição ImbeChile para enviar o artigo sobre o Salão de Motos de Porto Alegre (RS) que você lê agora.

O Salão

Atualmente na 9ª edição, o Salão de Motos aconteceu entre os dias 5 e 13 de julho no estacionamento coberto do Parque Poliesportivo da PUC/RS, um local de fácil acesso (mesmo para quem vem de fora da cidade) e bastante amplo: apesar disso, apenas uma pequena área foi reservada para o estacionamento de motos e carros, o que gerou uma certa confusão (e o rápido esgotamento das vagas) nas duas vezes em que fui ao evento. Contrastando com o aperto do estacionamento, as amplas ruas entre os estandes estavam sempre abaixo da sua capacidade mesmo em dias e horários de grande fluxo de pessoas (estive lá nos dois finais de semana do salão).

 

Apesar da nossa expectativa em relação às montadoras não ser das melhores (os lançamentos  são feitos no salão de SP), sempre fica aquele fio de esperança: veremos alguma novidade? Confirmando as suposições, nada de novo foi apresentado pelos grandes players do mercado – pelo contrário: a Honda trouxe, para a nossa surpresa (ou não), a CB1300SF 2007 e a VTX1800 2006; a Yamaha, sua tradicional adversária, diversificou e apresentou, além das motos, seus quads e jets.

 

 

Polícia do Exército

Sempre presente nos eventos, a PE expôs, entre outras raridades, uma H-D da década de 40 (com a sua bela suspensão dianteira do tipo springer) que ainda participa dos desfiles e, segundo me contou um militar, é superprotegida pelo mecânico responsável que não entrega a motoca a qualquer piloto. Ao seu redor, outras H-Ds usadas pela PE e fotos das motocicletas em uso.

 

 

BMW

Associada ao que há de mais luxuoso em veículos, o emblema das hélices sempre chama muita atenção – e nas motos não é diferente. A bela – ao menos para mim – K1200R veio vestida de verde-limão para o salão: apesar da cor de gosto duvidoso, é uma visão de encher os olhos. Não menos imponentes, uma R1200GS Adventure e outras máquinas espetaculares da marca bávara lotavam o estande para alegria dos visitantes.

 

 

Harley-Davidson

Já na chegada ao estande da H-D, a recepção é de alto nível: uma Night Rod (ou VRSCDX Night Rod Special como podem preferir os mais ortodoxos) com as tradicionais cores preto e laranja dá as boas-vindas. Lado a lado, descansam os modelos Dyna, 883R, Road King e a lindíssima Deluxe (que disputa minha afeição com a espetacular Night Train).

 

Além das montadoras citadas acima, muitas outras (Suzuki, Dafra, Kasinski, Garini, HaoBao, etc) se fizeram presentes, bem como marcas (Skya, Firetong, Zebra, Taurus, KBC, Nitro, etc) e lojas de vestuário e acessórios (destaque para a Winner Motors, que trouxe até um avião). O salão contou ainda com uma praça de alimentação, onde shows animavam o pessoal e um estúdio de tatuagem criava arte na pele dos interessados.

 

Todas as fotos podem ser vistas no álbum Salão de Motos – 9ª Edição.

Grande abraço e até a próxima!

Piréx

 

Batman – O Cavaleiro das Trevas ?

Acho até que já saiu de cartaz do grande circuito, mas não quero deixar de comentar sobre Batman – The Dark Knight.

Assistir aos filmes do Batman é quase obrigatório, e para quem nasceu na década de 60 mais ainda… alias talvez esse tenha sido o meu problema…

O filme não chega a ser horrível, nem medíocre ao extremo, mas poderia ser bem melhor, pelo menos para honrar o que foi prometido pelas exaustivas campanhas publicitárias.

Batman de Tim Burton era melhor, já o Batman de Nolan quase um lixo (piorei a cotação).

Tem na fotografia, a meu ver, seu ponto mais forte. Mistura de real e surreal com a maravilhosa cidade de Chicago de pano de fundo transformada em Gothan City, mas peca e muito no roteiro.

O filme tem quase 3 horas (quando a gente não gosta de algo a gente exagera), sendo que bastava metade disso para dar conta da história que parece que acaba no meio. Pode-se dizer que são dois filmes em um (pensando assim até que é lucro), e com isso o filme cansa. Num certo momento até procurei o controle remoto para avançar ou mudar de canal… uma pena, não achei.

Soma-se a isso as interpretações no mínimo bizarras; primeiro do Christian Bale, se já não bastasse a cara de babaca para piorar quando veste a super capa fica com uma voz arroucada… 

E sua babaquice não fica só na cara não, estrapolou as telas, pois na vida real acabou espancando a mãe… a irmã, a tia, a vizinha, e até o coitado de um gato que passava pela rua…

_Santa Ignorância Batman, diria o sãopaulino do Robin.

Depois Michael Caine. Caceta, concluo que realmente o dinheiro compra tudo meeeesmo…

E o Morgan? Putz, será que já não deu para ele esses papéis de senhor supremo da sabedoria e esperteza?

O Coringa, para mim é o ponto alto do filme, pois foi muito bem interpretado por Ledger, que poderá até levar o Oscar póstumo. Chega a salvar em muitas partes o filme. Dizem as más línguas que ele morreu de overdose por causa das exigências do diretor… mas acho que foi logo após assistir a gran première… e foi de vergonha mesmo… vai saber …

E a cereja do bolo ? (não vou nem comentar sobre Aaron Eckhart, ele fica melhor vendendo cigarros), mas voltando, a cereja do bolo é ela : Maggie Gyllenhaal.

Como pode ?

“Uta mina feia meu”. Sério, me perdoem, mas a pobre da Magie nem bunda tem, fora a cara de cachorro, que a todo tempo me fez lembrar do Coronel Cintra de Patópolis… seria ela filha dele ?

Diante de tanta desgraça duas coisas legais:

– o Batmóvel, ou melhor o Tumbler, que poderia se chamar Bat Urutu Móvel e a super bike do verdadeiro herói : o dublê, esse sim, pois foi o único que teve coragem de pilotar aquela coisa sem estrutura, que em movimento balançava mais que a moto do Pilão, mas o visual dela até que era bacaninha. (falei da moto para ficar dentro do contexto do blog).

Diante de tudo isso recomendo que: se ainda não assistiu, assista. Já disse isso lá no começo, “é quase que obrigatório”, mas antes leia este texto de João Pereira Coutinho, colunista da Folha, do qual compartilho em 100% :

“…com Batman e Coringa juntos, nenhum adulto equilibrado vê um super-herói e um super-vilão. Vê, simplesmente, dois dementes em pijamas que fugiram do asilo da cidade.”

E para fechar bato palmas mesmo para o Kubrick, que usou com maestria em Laranja Mecânica, o recurso de Cuecas sobre a Calça como uma forma de ridicularizar os super-heróis, (alias o Kubrick tomou o cuidado de deixa-los “super dotados” se vocês entendem o que eu digo…).

abraços

Seo Craudio

 

Imagem do dia

Para celebrar o finalzinho da EPA – Expedição Pau de Arara, feita pelos amigos Mad e Pilão, expedição esta que foi uma verdadeira “pintura”, deixo aqui a foto da última etapa da viagem do Mad antes de chegar no suvaco do Cristo.

ps- O Mad disse que vai deixar um relato aqui no blog… só nos resta então aguardar.

abraços

Seo Craudio

Tá com fome ?

Pois então, muita coisa para fazer e pouco tempo para escrever…

Enquanto isso, vou colocar aqui mais um vídeo da viagem…

Tá com fome ?

Aposto que vai ficar.

abraços

Seo Craudio

Momentos Bizarros

Nem tudo foi perfeição na viagem…

Abraços

Seo Craudio

Eu tô voltando para casa…

Bem, depois de tanta poesia, “caímos” na dura realidade da BR 101, que nem merece comentário.

Tocamos sem pensar muito até Camboriú, que por sinal eu não conhecia e gostei muito. É tipo um “Guarujá” mais arrumado, mais arejado, ou não, sei lá.

A essas alturas, confesso que estava ansioso por chegar em casa ( e para terminar essa história aqui no blog também, eu sei vcs agradecem 🙂 ) e se pudesse, viajaria a noite toda só para reencotrar com meu travesseiro…

Sábado, penultimo dia das férias, eu tinha certeza que chegaríamos em casa. Ledo engano, esqueci da meleca que é a Serra de Curitiba e pior esqueci até de Joinville, que como diz a piada: para chegar em Joinville, depois de Camboriú vire na primeira chuva a direita.

Dito e feito.

Garoa fina + frio + pista lisa + caminhões = atraso de mais de 2 horas para chegar em Curitiba onde Rava e Zappa já estavam cansados de comer esfiha no Habib´s, mas como bons irmãos de brasão, comeram mais algumas conosco e nos deixaram na boca da estrada de Apiaí. Rota alternativa para fugir da BR 116, outra que não merece uma linha. 

A BR 476 que liga Curitiba a Adrianópolis e depois Apiaí onde muda para SP-205, tem um asfalto muito bom e a estrada é uma viagem por si só. Toda sinuosa com vegetação intensa e muitas montanhas, e grande parte da viagem percorremos na “crista” delas com uma visão ímpar do horizonte sem fim, mas que devido aos atrasos, toda essa beleza quase que passou desapercebida.

E assim repensamos e resolvemos parar em Capão Bonito (a 200 km de casa) já quase 9 horas da noite, pois estávamos exaustos e estressados.

O legal disso, é que como já prevíamos que atrasaríamos e que a parada em Capão seria a solução, o grande amigo Rornete resolveu ir até lá para passar a noite conosco e efetuar o resgate do trajeto final. Muito legal isso.

Domingo, último dia das férias, 200 últimos quilômetros, muita ansiedade de chegar, última parada para abastecer, e assim tocamos forte, com sede e com fome de chegar.

Em casa minha família ali, também ansiosos para nos abraçar e quando chegamos uma surpresa: fomos recebidos com fogos de artifício, parecíamos que tínhamos ido ao Alasca tamanha a festa. Abraços intermináveis, beijos, mais abraços…

e para coroar outra surpresa: um almoço para lá de especial, algo bem brasileiro… feijoada.

E ali na mesa com todos reunidos, saboreando aquela deliciosa feijoada, acompanhada de uma boa cachaça, ficamos contando histórias, relembrando a viagem, o tudo de perfeito que foi, e o melhor, que era estar de volta para casa junto de meus pais e meus irmãos mais meu filho e poder contar tudo o que foi.

Enfim, foram 23 dias na estrada, e como não sou bom com números nem detalhista para isso, não irei nunca me aprofundar nisso, mas uma coisa eu sei: ficamos pelo menos uns 8 mil quilômetros mais felizes.

Vera, Mad e Jane: só tenho a agradecer por passar tanto tempo junto de vocês comungando do mesmo prazer.

Valeu,

Abraços

Seo Craudio

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